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A Cultura Importa - Roger Scruton - Resumo

  • Foto do escritor: Canal Resumo de Livros
    Canal Resumo de Livros
  • 9 de ago.
  • 4 min de leitura

Capa do livro A Cultura Importa, de Roger Scruton

Introdução


O mundo carece de uma identidade ocidental, pois os Estados Unidos, seu maior expoente, não reconhecem nenhum lugar nem tempo como propriamente seu. Não ter esse lugar no tempo torna a cultura vulnerável ao esquecimento e, consequentemente, a todas as perdas associadas a isso. O Iluminismo tomou força quando a sociedade ocidental passou a se identificar com os ideais da Revolução Francesa. Apesar disso, mediante o estudo lógico da arte, o autor percebe que alguns velhos hábitos positivos relacionados à cultura estão sendo recuperados.


Capítulo 1 - O que é cultura?


Cultura é um conjunto de elementos que alguns indivíduos podem possuir e outros não. São elementos que abrem o coração: a cultura é, ao mesmo tempo, criatura e criadora. Tradição é aquilo que permanece depois de muita batalha e da passagem do tempo.


Para que um ser possa ter cultura, ele necessita de algumas características próprias dos seres humanos, como a capacidade de rir. Nenhum outro animal ri, principalmente de si mesmo. Por isso, a arte muitas vezes envolve o riso. Infelizmente, chega um momento em que algo deixa de ser arte e vira kitsch, como, por exemplo, o urinol de Duchamp: uma ideia razoável quando surgiu, mas que abriu as portas para a arte-lixo dos dias atuais. A alta cultura deveria elevar as experiências humanas ao nível da reflexão ética.


Cultura consiste em possuir o conhecimento necessário para compreender o verdadeiro bem, e esse conhecimento pode ser transmitido por vários meios, entre eles as obras de arte.


Capítulo 2 - Ócio, culto e cultura


De acordo com Aristóteles, o trabalho serve para que possamos ter ócio. Esse ócio se relaciona com as obras de arte porque as apreciamos por elas mesmas, embora também aprendamos com elas, da mesma forma que uma criança aprende brincando, mas não brinca com o objetivo de aprender.


O mundo revela seus valores intrínsecos independentemente de nossa existência egocêntrica. Tudo isso é diferente do entretenimento popular, cujo objetivo seria desligar o cérebro. O autor escreveu isso antes das redes sociais, que, ao meu ver, não desligam o cérebro; pelo contrário, fazem com que ele se desgaste com coisas ignóbeis.


A cultura nasce da religião. Percebemos a cultura morrendo porque a religião também está morrendo.


Capítulo 3 - Conhecimento e sentimento


Para amenizar o sofrimento das crianças, amenizaram também as exigências do estudo, prejudicando sua educação. Um bom professor deve amar o conhecimento mais do que seus próprios alunos e usar o cérebro deles como um invólucro para um conhecimento que sobreviverá a ele.


Isso vale mesmo para conhecimentos considerados inúteis, pois muitos deles posteriormente serviram para a criação de coisas extremamente úteis. A álgebra booleana é um exemplo.


O conhecimento é muito mais difícil de se propagar do que a ignorância, algo bastante evidente na internet.


Sendo a educação religiosa algo voltado ao coração, e não à cabeça como a educação secular, não é possível que a segunda substitua completamente a primeira. O contrário, entretanto, não é verdadeiro, pois o catolicismo, por exemplo, possui naturalmente também uma dimensão de estudo estético.


Se pensarmos em ensinar competências a alguém apenas para melhorar diretamente a vida daquele que recebe o conhecimento, esse conhecimento acabará morrendo. Ele só sobrevive quando também serve a outras pessoas. Porém, o autor deixa claro que pessoas más podem usar a cultura como desculpa para sua maldade, mesmo que esse não seja o objetivo da cultura.


Capítulo 4 - Os usos da crítica


A piada é um elemento noológico bastante kantiano, pois é apreciada por si mesma e nos ajuda a rir. E rir junto é também julgar junto, compartilhando crenças e avaliações.


Uma civilização deve ser capaz de rir de si mesma. Quando isso não ocorre, ela pode se tornar perigosa, como, segundo o autor, acontece com a civilização islâmica.


Outro sentimento importante é o luto, que, na sociedade atual, tornou-se mais sentimentalista. Ou seja, deixou de ter como foco o objeto — por exemplo, a pessoa que morreu — e passou a se concentrar no indivíduo que sofre.


Por isso, a boa literatura deve ser valorizada, pois nos ensina a “sentir do jeito certo”, diferentemente da má literatura, que faz exatamente o contrário.


Capítulo 5 - Ensinando a cultura


Obras da literatura atual, como Harry Potter, não serviriam para a compreensão dos sentimentos próprios da vida adulta.


A música é outro exemplo de uma cultura infantilizada, pois os popstars são sempre pessoas de aproximadamente a mesma idade. Ou seja, o popstar, enquanto figura cultural, nunca envelhece nem se torna verdadeiramente adulto.


Além disso, o interesse da pessoa passa a se concentrar na vida ou na obra de outra pessoa, e não na construção ou apreciação da música e da arte por si mesmas.


Capítulo 6 - Guerras culturais


A cultura ocidental afirma que a razão é a base de tudo, mas, ao fazer isso, pode esconder certo etnocentrismo, pois a própria razão é sempre influenciada pela cultura que a constrói.


Apesar disso, muitos currículos atuais seriam baseados mais em ideologia do que em conhecimento, como ocorre, por exemplo, segundo o autor, com os estudos de gênero.


Capítulo 7 - Raios de esperança


Este capítulo apresenta uma série de exemplos de iniciativas destinadas a “destruir” aspectos da cultura tradicional que acabaram não avançando. Um exemplo é o projeto de Le Corbusier de destruir grandes partes de Paris para substituí-las por enormes blocos modernistas destinados à habitação.


A cultura importa por si mesma, mas as pessoas estão cada vez mais propensas a adotar uma visão puramente pragmática e materialista da vida. Isso acaba destruindo justamente aquilo que nos ergueu enquanto civilização.

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